13Dezembro2018

NOTÍCIAS SAÚDE Psoríase não tem cura e pode ser agravada por roupas e bijuterias
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Psoríase não tem cura e pode ser agravada por roupas e bijuterias

Hereditariedade e mudanças hormonais podem desencadear a doença de pele

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Atitudes simples como coçar a pele, passar hidratante e vestir-se podem ser bem complexas para as pessoas que sofrem da doença. Como uma doença de natureza autoimune e sem cura evidente, a psoríase apresenta sintomas inevitáveis, desencadeados por gatilhos naturais, como hereditariedade, mudanças hormonais e outras enfermidades. No entanto, algumas atitudes, muitas vezes involuntárias, podem piorar o quadro da patologia, devendo ser suspensas assim que os indícios surgirem.


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A consultora científica, Maria Inês Harris explica alguns cuidados necessários para quem possui a doença.

Coçar a pele

Quando a pele está irritada ou com alguma alteração que cause incômodo, a primeira reação da maioria das pessoas, principalmente das crianças, é coçar imediatamente o local afetado. No entanto, no caso de pacientes que sofrem de psoríase, qualquer tipo de lesão na pele pode causar o aparecimento de feridas em regiões que estavam saudáveis anteriormente, caracterizando o fenômeno de Koebner, que é inerente a alguns tipos de doença.

O que fazer?

Maria Harris aconselha o paciente a procurar um médico especializado e manter os cuidados preventivos da pele.

Usar hidratantes comuns

O uso de hidratantes em geral não apresenta contraindicações para pessoas que não apresentam problemas crônicos de pele. Contudo, os portadores de psoríase não devem aplicar cremes perfumados ou pigmentados sobre as lesões, já que estes produtos são mais propensos a provocar alergias. Da mesma forma, também devem descartar o uso de produtos que contenham conservantes alergênicos como metilisotiazolinona, imidazolidinil ureia, diazolidinil ureia e DMDM hidantoina.

De acordo com a médica o ideal é selecionar produtos seguros, livres de corticoides ou componentes alergênicos, como os corantes e conservantes citados. Utilizar hidratantes que aumentem o efeito de barreira da pele, regularizando a hidratação normal e o processo de renovação cutâneos, desde as camadas mais profundas.

Vestir roupas sintéticas

As roupas produzidas com tecidos sintéticos ou artificiais podem até durar mais, desbotar menos e apresentar um toque mais suave. No entanto, quando as lesões da psoríase estão aparentes, esse tipo de traje tende a piorar o problema, pois a absorção da umidade é prejudicada e a superfície mantém-se úmida, o que favorece ainda mais o desequilíbrio da barreira, o ressecamento e a descamação. Esses processos podem causar coceira e até dor, no caso de formação de feridas.

O conselho da especialista é optar por roupas desenvolvidas com fibras naturais, totalmente antialérgicas e que apresentem boa capacidade de adsorção da umidade, mantendo a pele sempre seca e menos suscetível aos sintomas.

Alerta aos acessórios metálicos e bijuterias

As bijuterias, em geral, contêm cobre e níquel que, em contato com a pele, podem liberar sais e favorecer o estresse oxidativo. No caso da prata, também pode ocorrer uma transferência de metal oxidado para a pele, o que pode provocar coceiras. Contudo, esse elemento químico é menos reativo e perigoso do que os anteriores. Já as joias de ouro não sofrem processos oxidativos e, portanto, não provocarão a deposição de íons, desde que o teor de cobre presente no acessório seja significativamente baixo.

Vale salientar, porém, que o uso desses ornamentos pode favorecer o acúmulo de resíduos oriundos da evaporação da transpiração, induzindo ao aumento da coceira. Além disso, o níquel é muito alergênico e a exposição de uma pele mais reativa, como a de quem tem psoríase, a este metal, pode levar o paciente a um quadro alérgico com mais facilidade. Pacientes com psoríase devem evitar, sempre, o contato direto da pele com bijuterias.

Tomar medicamentos contraindicados

Alguns fármacos prescritos para o tratamento de outras doenças podem desencadear e até piorar os sintomas da psoríase. São exemplos o lítio, utilizado em medicações para pacientes com transtorno bipolar, e os betabloqueadores, presentes em algumas drogas recomendadas para malária e cardiopatias.

Segundo Harris "caso receba prescrição médica de remédios com alguma dessas substâncias, o indivíduo com psoríase deve conversar com o especialista responsável pela receita e solicitar, se possível, um tratamento opcional", finalizou.


Dra. Maria Inês Harris - Química (UNICAMP), com doutorado em Síntese Orgânica (UNICAMP) e Pós-Doutorado em Toxicologia Celular e Molecular de Radicais Livres (UNICAMP) e em Lesões de Ácidos Nucléicos (CNRS, França). Certificada no curso SAFETY ASSESSMENT OF COSMETICS IN THE EU pela Universidade de Bruxelas (Bélgica). Docente do Curso de Especialização em Cosmetologia das Faculdades Oswaldo Cruz /São Paulo/ SP desde 1999. Entre outras atividades, atuou como Gerente de Segurança de Produtos (Natura), Gerente Técnico em Pesquisas Clinicas (Allergisa Pesquisa Dermatocosmética), Coordenadora de Pesquisas Institucionais (UNIBAN) e Especialista em HPLC (Alcon Laboratórios). Foi uma das idealizadoras e organizadoras do Curso de Especialização em Cosmetologia Aplicada à Estética (SENAC/ SP). É diretora do Instituto Harris, empresa atuante na área de segurança do consumidor e garantia das qualidade, oferecendo suporte científico e tecnológico e treinamentos para as áreas cosmética e farmacêutica.

Redação Portal Linhares Em Dia


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