13Dezembro2018

NOTÍCIAS POLÍCIA Foragido envolvido em esquema de adulteração de combustíveis no ES é de Jacupemba

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Foragido envolvido em esquema de adulteração de combustíveis no ES é de Jacupemba

Wellington Jorge Baldi Moreira está com mandado de prisão em aberto

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A equipe da força-tarefa responsável pelas investigações da Operação Lídima, que apura a atuação de uma organização criminosa no setor de combustíveis, divulgou, nesta terça-feira (04), a imagem de dois suspeitos de participação no esquema que continuam foragidos. São eles: Wellington Jorge Baldi Moreira, de 40 (foto/capa) e Carlos Alberto Barbosa de Souza, de 51 anos.


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Segundo as investigações, Carlos Alberto tem mandado de prisão preventiva em aberto pela acusação de ser um dos gerentes que comandava o esquema de adulteração de combustíveis no Espírito Santo.

Já Wellington seria o proprietário de uma empresa do tipo Transportador-Revendedor-Retalhista (TRR) envolvida no esquema.

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Conforme divulgado pela força-tarefa da Operação Lídima, o TRR, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), é a empresa autorizada pela ANP a adquirir, em grande quantidade, combustível a granel, óleo lubrificante acabado e graxa envasados, para depois vender a retalhos. O TRR também é responsável pelo armazenamento, transporte, controle de qualidade e assistência técnica ao consumidor quando da comercialização de combustíveis.

No entanto, a investigação aponta que a empresa do tipo TRR estava fazendo a comercialização para o consumidor final, burlando a fiscalização e cometendo o crime de evasão fiscal. Além disso, estaria comprando combustível de empresas não autorizadas.

A população pode repassar informações dos paradeiros dos suspeitos para o serviço Disque-Denúncia. Os canais são pelo telefone 181 e pelo site www.disquedenuncia181.es.gov.br. O sigilo e anonimato são garantidos. No site, é possível a pessoa anexar imagens e vídeos de ações criminosas.

A operação

Até o momento, 17 pessoas foram presas na Operação Lídima, deflagrada na segunda-feira (03). A operação é conduzida pelo Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), com o apoio do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES (NI-AMMP), da ANP, das Polícias Civis de São Paulo e Espírito Santo, além da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-ES) e da Receita Federal do Brasil.

O objetivo é desarticular uma organização criminosa atuante no setor de combustíveis e colher provas das atividades ilícitas dos integrantes, voltadas à fabricação clandestina, à distribuição ilegal e à comercialização de combustível adulterado, bem como de fraudes de ordem fiscal. As investigações começaram há aproximadamente dois anos.

De acordo com as investigações, um dos ilícitos praticados pelo grupo era a adulteração de gasolina e álcool com a utilização de solvente e água. As apurações também apontam a participação de usinas e postos no esquema. As fraudes têm envolvimento de pessoas no Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, de acordo com os levantamentos feitos até agora. A auditoria e o prejuízo total aos cofres públicos estão sendo levantados pela Sefaz/ES, que faz diligências fiscalizatórias em todos os estabelecimentos envolvidos.

Por ora, no Espírito Santo, 14 pessoas foram presas, incluindo empresários e funcionários. Entre os presos no Estado estão os empresários Adriano Scopel e Francisco Calezani, que possuem empresas de distribuição de combustível.

Em São Paulo, três pessoas foram presas. Os nomes estão sendo mantidos sob sigilo pela equipe da força-tarefa, para não prejudicar o andamento dos trabalhos.

As investigações, realizadas em parceria entre o Nuroc e o Gaeco, permitiram levantar provas da prática de crime de sonegação contra o consumidor, contra as relações de consumo e formação de um cartel para a revenda e a distribuição de combustível. Além da prática de lavagem de dinheiro e crime de organização criminosa.

"O monitoramento indicou adulteração, venda de combustível de baixa qualidade, sonegação de forma intensa e um cartel dominando o mercado, prejudicando até o comércio de álcool. Esses sonegadores atravessavam a distribuição trazendo álcool, que seria utilizado para outros fins e que tem uma tributação menor, para os postos de combustíveis. Isso permitia o aumento do lucro e um preço mais em conta na bomba, afetando a concorrência no mercado. A sonegação é milionária, mas não se tem valores ainda. Esse levantamento está sendo feito pela Sefaz. Inevitavelmente, serviços públicos, como educação e saúde, são prejudicados, uma vez que esse dinheiro deixa de entrar nos cofres do Estado para ser reaplicado para a sociedade”, explicou o coordenador do Gaeco, o promotor de Justiça Bruno Simões Noya de Oliveira.

“Se o álcool sai de uma usina para uma empresa de fachada, como nós constatamos, e vai para um posto de gasolina, 40% desse preço não é tributado pelo Estado. E esse dinheiro do álcool deixa de ser aplicado em escola, no posto de saúde, nas estradas das comunidades. Isso não chega nas mãos dos gestores públicos, porque esses empresários criminosos acabam desviando”, completou o gerente do Nuroc, delegado Raphael Ramos.

Além dos mandados de prisão, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão no Espírito Santo e em São Paulo, expedidos pela 5ª Vara Criminal da Serra, além da efetivação do bloqueio de bens e ativos produto dos crimes investigados – previstos nos artigos 2º da Lei nº 12.850/13 (organização criminosa), art. 7º da Lei nº 8.137/91 (crime contra as relações de consumo), art. 299 do CP (falsidade ideológica), art. 1º da Lei nº 9.613/98 (lavagem de dinheiro) e art. 1º, I, da Lei nº 8.176/91 (crime contra a ordem econômica) pela afronta a diversas resoluções da ANP.

A Operação Lídima contou com a participação de quatro delegados capixabas, cinco promotores de Justiça do Gaeco, 84 policiais civis capixabas, oito peritos oficiais criminais, 23 policiais militares da Assessoria Militar do MPES, 16 policiais militares com viaturas caracterizadas das unidades da PM (4º, 6º e 7º BPM e da 12ª Companhia Independente), oito fiscais da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 28 auditores da Sefaz-ES e sete profissionais da Receita Federal, além de equipes da Polícia Civil do Estado de São Paulo.

Investigação

A investigação durou praticamente dois anos. O trabalho começou após uma solicitação da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que indicava a presença excessiva de metanol em álcool combustível e gasolina em estabelecimentos do Espírito Santo.

Foi realizada uma “fotografia” do momento, escolhendo um número de postos de combustíveis onde havia denúncias de cometimento de crimes, entre eles aquisição de carga roubada e não pagamento de tributos.

Ainda de acordo com as investigações, esses estabelecimentos ainda mantinham problemas frequentes, como produtos de má qualidade, dentre eles adulterados. Segundo a força-tarefa, ao longo da investigação tais irregularidades foram comprovadas.

A chegada de uma grande carga de nafta ao Espírito Santo também serviu para agilizar as investigações e descobrir as práticas fraudulentas.

Como funcionava a fraude:

Adulteração de combustível

A gasolina era misturada pelos fraudadores a partir da junção de etanol, nafta e outros corantes. O movimento se configurava como ilegal, uma que vez empresas não cadastradas para a prática realizavam essa mistura.

Com isso, era criado um combustível fora dos padrões oficiais, podendo ser de má qualidade.

Evasão fiscal

A investigação apontou que empresas de fachada relacionadas à área química e outras eram utilizadas como destino final das notas fiscais ideologicamente falsas. Uma empresa química era destinatária de álcool anidro (sem água), cuja finalidade seria para confecção de tintas e vernizes. Mas na realidade, esse etanol se destinava para confecção de gasolina ou, no caso de etanol hidratado, para ser utilizado diretamente em veículos.

A evasão fiscal acontecia porque o álcool para confecção de tintas e vernizes é classificado para “outros fins”, tendo uma queda da sua base de cálculo do imposto, havendo, então, uma redução do valor do tributo a ser pago pelo empresário.

Como as empresas eram de fachada, não era possível para o Estado conseguir cobrar tributos como o ICMS.

Redação Portal Linhares Em Dia


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