O NAUFRÁGIO


Na madrugada de 7 de Setembro de 1887 o cruzador “Imperial Marinheiro” naufragava no revolto mar de Regência Augusta com 142 tripulantes, cuja missão era um pedido da Marinha Francesa, que relatava perigo em uma rota que as cartas marítimas não mostravam, por isso era necessário mapear a misteriosa barra do Rio Doce.

O Rio Doce é rodeado de lendas e histórias, inclusive a origem de seu nome que, segundo a lenda, navegadores portugueses encontraram água doce, do rio, seis milhas mar adentro. Os ribeirinhos contam que para tomar banho no encontro das águas amareladas com o mar era necessário amarrar uma corda na cintura ligando à margem ou à praia a fim de se resguardarem.

O Imperial afundou 120 metros mar adentro, a essa distancia e com o mar e o céu tempestuosos, as chances de nadarem até a praia eram mínimas e só havia um bote no cruzador, com isso doze tripulantes embarcaram e deixaram os destroços do navio com o objetivo de trazerem socorro da vila mais próxima; Regência Augusta.

Chegaram à praia, com o escaler aos pedaços, apenas oito marinheiros e em pouco tempo todos os habitantes da vila, em sua maioria pescadores, se mobilizaram e levaram mantimentos até a orla.

Durante toda a madrugada foram feitas várias tentativas de resgate, todas em vão. Ao amanhecer era possível ver os destroços do “Imperial Marinheiro” e sua tripulação ansiosa por um salvamento. Alguns marinheiros se jogaram ao mar na vaga esperança de conseguirem vencer as grandes ondas e a forte rebentação.