O CABOCLO


O respeito pelo mar é sempre um fator intrínseco a todo pescador. Bernardo nascido e criado à maresia era destemido. Sabia melhor do que ninguém que do mar não precisava ter medo, apenas respeito.

Respeito que carregou dentro de si quando resolveu encarar o mar revoltado em prol dos naufragados. Foram quatro tentativas inúteis de vencer a rebentação. Sua mãe assistia a tudo da areia, com o coração na mão vendo o filho se arriscar num ato de heroísmo. Na quinta tentativa superou as ondas e nadou 120 metros com uma corda na boca, amarrou nos destroços e começou o resgate um a um dos marinheiros. Eles seguravam na corda e iam em direção à areia, mas nem todos conseguiam pisar em terra firme, caiam no mar, pois o cansaço tinha chegado. A bordo de uma canoa, o insistente Caboclo ia a busca dos que não aguentavam a travessia. Ao final, 128 foram salvos, 14 desapareceram e seus corpos nunca foram encontrados.

A vila lutava para poder alimentar, agasalhar e cuidar de todos. Foram cinco dias de resistência às condições adversas.