NICE AVANZA - A ARTE NO SANGUE E NO CACAU


Nice nasceu no primeiro dia de julho de 1938 em Vitória. Depois foi com a família para São Paulo. Casou nova, logo se separou a voltou para o Espírito Santo. Trabalhou em hospital e foi garçonete.

Deu seus primeiros passos na pintura por incentivo de amigos e um professor da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro. Começou a pintar escondido do marido, José Augusto Avanza, nos anos 60. Depois que descobriu deixou, até o momento que Nice começou e Ze Augusto se enciumou. Queria porque queria que a artista deixasse de ser artista.

Não funcionou. O pr´prio marido montou um atêlie para Nice, que se entusiasmou com ‘’suas bobagens’’, como ela mesma dizia, e se esqueceu do mundo. Zé Augusto fechou a oficina por cinco meses. E como arte é expressão e, sem se expressar o ser humano não fica. Nice começou a pintar o ar com o dedo. O companheiro se solidarizou, Nice voltou a pintar e a ordem estava estabelecida.

Em Linhares Nice descobriu o cacau. Entrava na roça, colhia e quebrava o fruto. A artista descobriu a plástica do cacau e mostrou a riqueza de um município ao mundo. Nice ficou conhecida internacionalmente como a “Artista do Cacau” e colocou Linhares no mapa das artes.

Em uma entrevista realizada pela TVE, Nice conta a história de quando precisou cortar um pé de cacau que tinha em sua casa, “eu tive de derrubar um pé de cacau porque ia ampliar a casa... fiquei pensando um mês... tiro, não tiro... construo uma cerca.... não vai dar.. cor-tei. Pra mim foi como se tivesse matado um filho... ele sabia que eu gostava muito dele, ele me dava muitos frutos... só pela beleza... hoje (quase soluçando) não tem mais”. Nice morreu em 1999, em São Paulo.