MIÚDO


Um herói nunca está sozinho. É o que pode ser observado ao longo da história, tanto na vida real quanto na pretensão fictícia do mundo das artes. Caboclo Bernardo teve seu companheiro 36 anos após sua morte; Miúdo. Elpídio Angelo de Macedo, nome de batismo de Miúdo, baiano nascido em 02 de setembro de 1923, nove anos após a morte de Caboclo, chegou a Regência Augusta no início da década de 50 e desde então chamou para si a responsabilidade pelo zelo à imagem e história da Vila e do herói linharense.

Durante 58 anos, Miúdo cuidou do túmulo e do cemitério onde Caboclo está enterrado, trabalhava na roça durante a semana, e nas folgas cuidava da Vila. Na época o local onde eram enterrados os mortos não tinha muro e em várias noites Miúdo tinha de lançar foguetes para espantar os cachorros que não deixavam os túmulos em paz. Depois de um tempo de luta, Elpídio conseguiu a construção da Praça da Vila e um busto em homenagem ao herói. Anos antes tapava buracos na estrada com um carrinho de mão, uma pá e uma marmita com farofa.

A relação de Miúdo com Caboclo e a Vila era íntima. Por todo seu cuidado ficou conhecido como o Guardião do Herói. Era adorado pelas crianças, mas alguns o chamavam de louco e isso o chateava, chegava em casa reclamando. A família dizia para ele parar de cuidar a Praça, do Caboclo, assim ninguém mais chamaria de louco o velho Miúdo. Ele recusava e era firme na resposta: “Vou morrer aqui nessa Praça ou lá no cemitério com Caboclo!”

Tia Mariquinha lembra que foi ele quem mais a ajudou com a festa; “Todo ano vinha o Miúdo com sua bengalinha. Vinha lá da rua e me ajudava o tempo todo”. Mesmo sua saúde não estando em perfeitas condições nunca deixou de dar sua ajuda para que a festa acontecesse e a Vila nunca deixasse de homenagear sua figura maior. Pouco antes do Natal em 2008 Miúdo disse que Caboclo Bernardo o chamava, queria levá-lo: “Caboclo tá me chamando” , depois completava “O veim já tá indo Caboclo!” . Em 14 de dezembro de 2008 Elpídio Angelo de Macedo falaceu aos 85 anos de idade, sendo 58 deles dedicados à memória de Caboclo Bernardo e à Regência Augusta.