ALÉM DO MITO


O COTIDIANO E A MORTE

Caboclo Bernardo voltou para sua vila e caiu no esquecimento. Viveu sua vida de pescador comum e pobre. Recebeu apoio para trabalhar na capital, mas em pouco tempo resolveu voltar para a barra do Rio Doce. Participou ainda de outros dois salvamentos, esses sem registros.

Em 4 de Junho de 1914, Bernardo tinha 54 anos que não se expressavam em seu corpo forte, de origem indígena. Depois da pescaria retorna para sua casa e fica na espera de sua mulher para preparar o almoço. Tinha trazido o peixe. Morreu sentado esperando o almoço e comendo banana. Do outro lado aparece Lionel Fernandes de Almeida armado de uma garruncha. “Matei um papagaio comendo banana” afirmou Lionel a testemunhas. Acredita-se que a mulher do assassino, cansada dos maus tratos do marido teria pedido abrigo ao Caboclo, que pagou com a vida pela gentileza. Anos depois de ser condenado a absolvido Lionel foi questionado sobre os motivos do crime; “cachaçada... questão de mulher”. Baseado nesta declaração e em evidências indiretas, suspeita-se que a mulher de Lionel, cansada dos maus-tratos que sofria, buscou abrigo no barraco de Bernardo, o qual acabou por pagar com a vida este último gesto de generosidade.

E terminava ali a saga de um homem simples e começava a ganhar mais força a figura do herói que se tornaria ícone.