Joacles Costa

Por Joacles Costa

_Escritor capixaba. _Graduando em Letras Português/Espanhol pela UFES - Universidade Federal do Espírito Santo. _Membro efetivo da AJEL - Academia Jovem Espírito-Santense de Letras. _Assessor de imprensa. _Registro de Jornalista: 003675/ES. _INSTAGRAM: @joacles

Por Joacles Costa

_Escritor capixaba. _Graduando em Letras Português/Espanhol pela UFES - Universidade Federal do Espírito Santo. _Membro efetivo da AJEL - Academia Jovem Espírito-Santense de Letras. _Assessor de imprensa. _Registro de Jornalista: 003675/ES. _INSTAGRAM: @joacles

Coluna: Gonçalves | “Escrever é Preciso, escrever é uma forma de resistência.”

Saudações Renovadas.

Emerson Campos Gonçalves é Doutor em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo (PPGE/UFES - 2020), tendo sido bolsista Capes. É Mestre em Estudos de Linguagens pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Posling/CEFET- MG - 2013), possui bacharelado em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas - 2008) e licenciatura em Letras/Português pelo Instituto Federal do Espírito Santo (IFES - 2019). É pesquisador do Núcleo de Estudo e Pesquisas em Educação, Filosofia e Linguagens do Centro de Educação da UFES (Nepefil/CE/UFES). Também pela Ufes foi professor substituto de Jornalismo, Publicidade e Cinema no Departamento de Comunicação Social (2015-2016) e de Língua Portuguesa e Literatura em Língua Portuguesa no Departamento de Linguagens, Cultura e Educação (2020). Foi, ainda, professor voluntário de Fundamentos Histórico-Filosóficos da Educação no Departamento de Educação, Política e Sociedade da UFES (2017-2018). Atualmente investiga como as ideias fascistas se aproveitam da relação entre Jornalismo e Indústria Cultural para perpetuarem, dedicando-se à retomada dos estudos do Grupo de Berkeley. Suas linhas de pesquisa são Cibercultura, Web 2.0 e Convergência de Mídias; Semiótica e Estudos de Linguagem; História do Jornalismo; Jornalismo Literário; e Literatura, Filosofia e Comunicação (esta última diretamente relacionada com os estudos da Teoria Crítica da Sociedade, a partir de Theodor W. Adorno e Christoph Türcke).

Entrevista com Emerson Campos

Joacles Costa: Nome, data e local de nascimento?
Emerson Campos Gonçalves: Emerson Campos Gonçalves, nascido no dia 05 de Janeiro de 1987 na Cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais.

JC: Qual sua opinião em relação aos Gibis na iniciação da alfabetização? 
ECG: Muitos colegas de pesquisa dentro da universidade torcem o nariz (com certa razão) para a formação literária que é fomentada pelos gibis, já que muitas vezes o conteúdo desses passa longe da educação estética e cultural que desejamos para os nossos filhos. Porém, o que muitas vezes passam despercebido é que, em muitos casos, o baixo custo dessas revistas em quadrinhos faz com que essa seja a única possibilidade de contato das crianças da periferia com alguma forma de produção literária na infância (pelo menos foi assim no meu tempo de criança, já que não existiam dispositivos móveis, nem a possibilidade de acesso a outros tipos de produção literária). Então, com grande alegria no coração, posso dizer que tive a sorte de ter uma mãe maravilhosa e muito esclarecida que sempre incentivou meu hábito de leitura comprando essas revistinhas. Foi a leitura despretensiosa desses gibis que me apresentou o universo literário e foi a partir deles que, por conta própria, passei a buscar outros mundos através dos livros disponíveis na biblioteca da escola.

JC: Já publicou alguma obra literária ?
ECG: Apesar de ter outras obras acadêmicas publicadas e no prelo como organizador, “A morte do jornalista: causos poéticos” é o meu primeiro livro literário. Nos próximos meses está previsto o lançamento de “Convergência infinita de mídias”, meu primeiro livro acadêmico “solo”, por assim dizer.

JC: Como foi seu envolvimento mais sério com a literatura?
ECG: Até onde eu me lembre, desde sempre rabisquei poesias. Mas no começo era apenas empolgação da juventude (pelo menos eu achava isso), tanto que não conservei nenhum escrito mais antigo, foram todos devorados pelo tempo. O meu envolvimento mais sério com a literatura só começou mesmo uma década atrás, nos tempos de repórter no jornal Estado de Minas, quando passei a – sempre que possível – escrever uma reportagem ou outra em primeira pessoa para subverter o padrão engessado de um jornalismo que se apresentava como supostamente isento. A coisa deu certo, o público gostou e, além dos textos no jornal, passei a esporadicamente escrever crônicas para um círculo mais próximo de amigos jornalistas (uma grande incentivadora nesse processo foi a poeta mineira Ana Elisa Ribeiro, que era minha orientadora de mestrado). Nessa época comecei a maturar a ideia de escrever um livro de crônicas, mas com a mudança para o Espírito Santo, em 2013, o projeto acabou interrompido (e durante um tempo, a literatura como um todo também). Foi quando a UFES surgiu no meu caminho, ainda em 2014. Fui cursar disciplinas optativas do doutorado em Letras e, entre algumas, me atraiu particularmente uma ementa que propunha realizar uma aproximação teórica entre Drummond (meu poeta favorito) e Adorno (meu filósofo favorito), ministrada pelo professor – e poeta – Wilberth Salgueiro. Eu que já era um leitor entusiasmado de poesias firmei o hábito e passei, a partir dali, a produzir de forma mais organizada meus poemas, levando a coisa um pouco mais a sério. Na sequência veio o doutorado em Educação e o caminho foi natural. A literatura passou a compor meus projetos de pesquisa e, também, parte significativa da minha vida. Acabei sendo escolhido pela poesia – embora não tenha desistido do projeto de crônicas.

JC: O que você gosta de ler ?
ECG: Entre os clássicos, como um bom mineiro preciso citar João Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade como escritores que me marcaram profundamente. E ainda marcam, a cada nova releitura.

JC: Que tipo de reflexão você quer transmitir em seus textos?
ECG: Com a minha poesia busco sempre contar um “causo”. E, como qualquer contador de causos, minha intenção é sempre valorizar a experiência a partir da leitura, causando algum tipo de incômodo. Mas escrever é preciso, escrever é uma forma de resistência. Então, ao fim, eu diria que busco incomodar o leitor de alguma forma com os textos. Se ele se incomodar e, a partir desse sentimento, refletir sobre questões sensíveis da nossa existência sobre as quais não se atentava antes, acho que minha literatura deu certo (por mais pretensioso que isso pareça).

JC: É possível o livro físico tornar-se apenas virtual? 
ECG: Acho que já perdi as contas de quantas vezes, na condição de repórter, fiz essa pergunta (risos). E acho que a persistência dela é a prova de que não temos uma reposta fácil ou única. Mas eu diria que não. Acredito que as novas tecnologias forçam as anteriores a se adaptarem, mas não eliminam essas em definitivo. O suporte permanece porque a cultura permanece. A persistência dos jornais impressos (apesar da queda nas tiragens) é uma prova disso.



A morte do jornalista: causos poéticos 
Emerson Campos explora seu próprio infortúnio como jornalista. A tentativa - carregada de inquietudes e ensaios - é de dar vida em seus versos àqueles que morrem anônimos, minorias invisíveis barbarizadas na máquina ofegante do capital que toma forma de cidade. Para isso, concluiu: o repórter - frio e objetivo - precisava morrer! Ao reconstruir o próprio trajeto do solo mineiro aos encantos capixabas, o poeta lança o olhar que herdou de uma vida na reportagem e passeia por causos e gêneros em que acredita. Traça, assim, um caminho de leitura que começa pela morte, metamorfoseia-se superando o tempo, une sotaques e povos, exalta o encontro de sexos e corpos no mundo de cimento, propõe algo de uma metacrítica perdida, desembarca no cenário de concepção da obra e, ao fim, derrama-se no essencial. O perigo nesta leitura, portanto, não é constatar a morte, mas decidir fazer uma revolução e renascer entre os 51 poemas”.

Leitura Em Dia
O que está lendo? “Macunaíma: o herói sem nenhum caráter”, de Mário de Andrade
 
Livro:  A morte do jornalista: causos poéticos
Autor: Emerson Campos Gonçalves
Ano: Março/2020
Assunto: Poesias
Páginas: 64 Páginas
Preço: Para kindle e tablets: R$ 10,00 (E-book) - Impresso: R$ 15,00   
Editora: Edição Independente
Onde Comprar: www.emersoncampos.com.br

Revisão de Texto: Max Maciel Pereira Reis

O artigo publicado é de inteira responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam as idéias ou opiniões do site EMDIAES.

Coluna: Wladimir Cazé | “...Eu não diria que escolhi escrever ou fazer literatura. Na verdade, é a literatura que te escolhe..."

Saudações renovadas.

Nossa personalidade de hoje é o escritor Sérgio Wladimir Cazé dos Santos. Pernambucano, nascido em Petrolina no dia 22 de Setembro de 1976. Doutorando em letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) da Universidade Federal do Espírito Santo. Possui mestrado em letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) da Universidade Federal do Espírito Santo (2016) e graduação em Comunicação Social: Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (1998). Atualmente é também graduando do curso Letras Português-Espanhol da Universidade Federal do Espírito Santo. Tem experiência nas áreas de Jornalismo e Letras, com ênfase em Literatura Hispano-americana e Literatura Brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: poesia, conto, tradução literária.

Desde criança, Cazé sempre teve muito contato em casa com livros, revistas e jornais, proporcionado pelos pais e tios, e o interesse pela leitura e pela escrita surgiu naturalmente. Depois de muita leitura de gibis, da coleção Vagalume e de Monteiro Lobato, no fim da infância, descobriu no começo da adolescência o Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto. E logo passou para Dom Casmurro, de Machado de Assis, para a poesia de Manuel Bandeira, para Rubem Fonseca, etc. 

Joacles Costa: Quando começou a escrever e por que escolheu essa área?

Wladimir Cazé: Eu não diria que escolhi escrever ou fazer literatura, porque essas coisas não se escolhe. A pessoa começa fazendo isso por alguma necessidade de se expressar pela escrita. Na verdade, é a literatura que te escolhe. No meu caso, lembro de começar a escrever histórias em quadrinhos, por puro exercício lúdico, e de em algum momento passar a escrever textos mais longos, mas sem maiores pretensões a não ser me divertir. Tudo nasceu daquelas leituras iniciais, na infância, e com o tempo se tornou algo mais sério e fundamental, levando-me a escolher a profissão de jornalista.

JC: Quantos livros você tem publicado, quais são:?

WC: Publiquei os livros de poemas Microafetos (2005), Macromundo (2010) e Minividas (2018). Também publiquei dois folhetos de cordel, A fiilha do Imperador que foi morta em Petrolina (2004) e ABC do Carnaval (2009).

JC: Você tem alguma referência literária nos clássicos brasileiros?

WC: Claro. A literatura brasileira é uma das mais vigorosas dos últimos 150 anos no mundo. Gosto de Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto, Manoel de Barros, Murilo Mendes, Ariano Suassuna, Graciliano Ramos, Antônio Torres, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, João Ubaldo Ribeiro, João Gilberto Noll, Haroldo de Campos, só para mencionar alguns poucos. E também admiro artistas de outras áreas que podem ser considerados clássicos, como os compositores Heitor Villa-Lobos e Tom Zé e o cineasta Glauber Rocha.

JC:  Você acha que um escritor precisa se fazer reconhecido?

WC: Como nasci num Estado (Pernambuco), venho de outro (Bahia) e já morei num terceiro (São Paulo), além do Espírito Santo, refiro não tratar especificamente da questão do reconhecimento do “escritor”. Em qualquer um desses lugares, penso que o desafio maior é o mesmo: fazer o texto literário chegar a seus potenciais leitores ou ouvintes interessados. Daí vale recorrer a todos os meios disponíveis, como, por exemplo, a internet, áudios, vídeos, os saraus e leituras públicas e a participação em eventos escolares, acadêmicos e midiáticos.

JC: A Obra literária de um escritor pode mudar a vida do leitor?

WC: Para mim, o grande lance da poesia é provocar uma certa desautomatização da língua e da linguagem e, com isso, permitir lançar novos olhares sobre as coisas e o mundo. Ao subverter o que o fascismo da língua nos “obriga a dizer” (diria o crítico Roland Barthes), liberando a linguagem para dizer coisas novas e nos fazendo enxergar diferente, a poesia faz emergir um tipo de pensamento que, sendo imprevisível, tem um caráter político, de contestação da evidência imediata, de subversão do óbvio. É claro que, hoje, mais do que nunca, o próprio fato de escrever poesia já é por si só uma ação política. Agora, pensando de forma mais modesta, gostaria que quem me lê possa, durante a leitura, “escutar” os ruídos que tento criar com as palavras, os barulhos que, mais do que dizer algo que tenha um sentido preciso, pretendem expressar sensações, emoções e percepções, numa acepção até musical dessas palavras.

JC:  Nos dias de hoje é possível sobreviver da escrita?

WC:  Primeiramente, não recomendaria a ninguém começar a fazer literatura com a intenção de fazer dinheiro ou de sobreviver dessa atividade. Isso implicaria numa relação profissional com a escrita literária, o que não é uma realidade para a imensa maioria das pessoas que se dedicam a ela (inclusive para mim). O importante é fazer literatura porque se gosta e porque se tem uma necessidade imperativa de expressão; os resultados estéticos, práticos, comerciais e financeiros que possam vir daí são imponderáveis, imprevisíveis. Se eles vierem de forma positiva, ótimo. Mas não me parece que sejam um ponto de partida ideal para a criação literária. Em segundo lugar, para quem quer escrever, recomendo ler muito. Ler de tudo: ficção, poesia, ensaio, teatro. Ler e reler autores de vários lugares, épocas e estilos, dos antigos e clássicos aos contemporâneos, para ir, pouco a pouco, identificando suas preferências e afinidades. Também acho importante ler muita crítica literária, para entender as várias possibilidades de interpretação de uma mesma obra. Por fim, recomendo que, antes de escrever, o candidato a autor viva experiências reais e tenha contato com a realidade humana ao seu redor. É importante não só ficar lendo e escrevendo, mas sair de casa, ver a cidade, conhecer pessoas diferentes de seu círculo próximo. Aos poucos, se lapida um gosto, um estilo e um perfil.

JC: Qual o seu trabalho mais recente? 

WC: No final de 2018, lancei pela editora capixaba Cousa meu terceiro livro de poemas, Minividas, que reúne textos escritos a partir de 2016. O livro apareceu depois de um longo intervalo em que quase não escrevi e criei literatura, mas que foi uma fase de muitas leituras e estudos, em que também comecei a fazer tradução literária (de poesia ou prosa de autores latinoamericanos contemporâneos). Foram dois anos trabalhando nos poemas de Minividas, que se transformaram no meu livro escrito em menos tempo, mas que carrega a gama de experiências e aprendizagens que tive nesse intervalo de 9 anos depois da publicação do livro anterior, em 2010. São poemas escritos com um sentido de urgência, para serem lidos no momento melancólico de final de década que vivíamos, enquanto país, quando escrevi o livro, e que só fez se agravar nos últimos dois anos. Ao acompanhar as notícias do Brasil e do mundo, senti necessidade de fazer algo rápido e intenso, um grito, uma mensagem na garrafa, antes de recomeçar tudo do zero. Antes eu buscava escrever uma poesia antilírica, ou seja, de emoções contidas, com ideias abstratas e sem a presença do eu subjetivo, e mais interessada em falar de sensações, percepções, ideias, observações concretas. No final de 2016, comecei a escrever uma safra nova de poemas em que alguma coisa da linguagem anterior se mantém, mas agora existe a presença do eu, do indivíduo em diálogo com o mundo exterior, além de abordar algumas de nossas crises atuais, inclusive as políticas. Em Minividas, também preocupei-me muito com a oralidade dos versos, com a sonoridade das palavras e os ritmos dos textos, com a forma como esses poemas poderiam ser lidos em voz alta. Nos meus livros anteriores esse aspecto do poema era de certa forma desconsiderado e havia uma outra preocupação, mais com a visualidade do poema na página.



Minha Leitura Em Dia? Grande sertão: veredas - João Guimarães Rosa – Ed. José Olympio Editora
Livro: Minividas
Autor: Wladimir Cazé
Ano: 2018
Assunto: Poemas
Páginas: 56 pg.
Preço: R$ 34,00
Editora: Cousa
Onde Comprar: Ed. Cousa (27) 99956-0277  |  e-mail: editoracousa@gmail.com

Revisor de Texto: Max Maciel

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Coluna: EDIÇÃO ESPECIAL com o ‘’Pai da Turma da Mônica’’ - Mauricio de sousa

Todas as edições dessa coluna são especiais. A edição de hoje é mais que especial. Vamos conversar e saber um pouco da vida do grande cartunista brasileiro chamado Mauricio Araújo de Sousa. Você não leu errado. É Mauricio sem acento e Sousa com s mesmo. Nasceu em 27 de Outubro de 1935. Iniciou a carreira como ilustrador em Mogi das Cruzes, uma cidade do interior de São Paulo – Brasil. Aos 19 anos, mudou-se para a Capital paulista. Em 1959 criou o primeiro personagem, o cãozinho Bidu. A partir daí vieram Cebolinha, Cascão, Mônica, e tantos outros.

Em 1970, lançou a revista Mônica. Depois de passar pela Editora Abril e Editora Globo, assinou contrato com a multinacional italiana Panini. Cerca de 150 empresas nacionais e internacionais são licenciadas para produzir mais de três mil itens com os personagens de Mauricio de Sousa; suas criações chegam a cerca de 30 países. Escritor, membro da Academia Paulista de Letras, empresário, dono da Mauricio de Sousa Produções, criador da Turma da Mônica e um dos cartunistas mais famosos do Brasil.



Sobre Mauricio de Sousa

Teve uma infância cercada por um ambiente muito cultural. O pai era poeta, pintor, compositor e um barbeiro muito conceituado. A mãe também era uma poetisa, cheia de vontade que o filho se tornasse um cantor, entretanto, a timidez do menino não o deixou seguir carreira. Na casa deles, eram normais reuniões e saraus.

A primeira tentativa como desenhista profissional foi na redação do jornal Folha da Manhã (atual Folha de São Paulo). Lá trabalhou durante cinco anos, primeiro como revisor de textos e depois escrevendo reportagens policiais. Fazia questão de usar capa, chapéu, como o personagem de quadrinhos chamado Dick Tracy, da qual ele era muito fã.



Nesta entrevista, Mauricio fala um pouquinho de como tudo começou. Confira.

Joacles Costa - Alguma profissão que você queria seguir antes de ser cartunista?

Mauricio de Sousa - Quando criança quis ser pianista. Mas carregar um lápis é mais fácil que carregar um piano. (risos).
 
JC - Como foi a início da sua alfabetização? Teve acesso a Gibis? Você teve incentivo à leitura?

MS - Eu tinha uns 4 anos de idade e passando pela rua vi um gibi, meio rasgado, caído junto a outros papéis. Gostei das figuras que vi, levei para casa e pedi para minha mãe ler pra mim. Ela leu, eu adorei e queria mais. Meu pai percebeu meu gosto e passou a levar mais gibis para casa. Mas eu queria mais leitura da minha mãe. Daí ela me explicou que não dava porque tinha outras atividades na casa e que eu deveria ler sozinho. E começou a me ensinar, letra por letra, palavra por palavra... Em três meses eu já estava lendo. Ainda lentamente, mas em evolução. Cheguei à escola alfabetizado... e nunca mais parei de ler.
 
JC - Houve algum artista do ramo que te inspirou, lá no início da sua carreira?

MS - Foram vários, mas o Will Eisner (fazia o personagem Spirit) é de quem recebi mais ensinamentos por suas histórias bem construídas e desenho primoroso.
 
JC - Como foi a criação do seu primeiro personagem?


MS - O Bidu foi criado a partir de um cachorrinho de minha infância, chamado Cuíca. Criei junto com o Franjinha, que era baseado em um sobrinho meu. Criei os dois para a primeira tira que publiquei na Folha da Tarde (atual Folha de São Paulo) em 1959.
 
JC -  Criou algum personagem e depois desistiu de dar continuidade? Por quê?

MS – Sim. Quando criei o Cascão, logo engavetei, por receio de lançar um personagem que não tomava banho. Foi baseado em um amigo de meu irmão que realmente não tomava banho. Mas minha esposa, na época, Marilene, (mãe da minha filha Mônica) me convenceu a usá-lo dizendo que criança não gosta de largar das brincadeiras para tomar banho.
 
JC – Todos os seus personagens têm um nome. Como você busca ou buscou inspiração para criar os nomes deles?

MS – Como me inspiro muito em pessoas reais, costumo usar nomes verdadeiros. Quando não são parentes, batizo com um nome bem sonoro que agrade.

JC -  Você já criou algum personagem baseado em você?

MS – Não. O Mauricio de Sousa que de vez em quando aparece nas historinhas é criação de pessoal do estúdio para me homenagear.
 
JC – Com esse avanço da tecnologia, você acredita que as revistas da Turma da Mônica, no formato impresso, sejam extintas e sejam produzidas apenas na versão virtual?

MS – A tecnologia sempre abre novas plataformas de comunicação. E estamos em todas. Mas os quadrinhos impressos ainda têm seu espaço. Ou eu perderia cerca de 10 milhões de leitores/mês. O quadrinho virtual está na nuvem. É de todo mundo. A revista impressa pertence àquela criança que a comprou ou ganhou. Vai para a coleção.

JC – A criança vê nos seus Gibis uma opção de entretenimento.  Por esse motivo, qual a importância dos seus produtos (Gibis Turma da Mônica) para o desenvolvimento intelectual da criança na fase inicial de alfabetização?

MS – Lembra que falei que me alfabetizei com quadrinhos? Foi um passo para me interessar em ler livros. Em minha juventude, cheguei a ler um livro por dia. A leitura é um dos principais pilares da educação. Quanto antes estimularmos as crianças a ler, mais ela vai ganhar em educação e diversão.

JC – Que mensagem você deixa para quem está começando a carreira agora e pretende ser um profissional de sucesso, igual a você?

MS – Um bom profissional é formado por gostar do que faz, estudar muito e ser persistente. Estudando e praticando, não só desenho, mas lendo muitos livros para ser um bom roteirista. E, claro, planejando sua carreira.

E como o Pedrinho do século XXI vai à caçada?

Escrito em um período em que questões como o desmatamento da Floresta Amazônica não era uma tônica e que não se tinha consciência de que o hábito de fumar é extremamente prejudicial à saúde, este Caçadas de Pedrinho teve os trechos originais com enfoques intoleráveis nos dias atuais editados. Nesta obra o leitor encontra notas de rodapé com informações complementares, contextualizando diversas temáticas, além de esclarecer ao leitor, por exemplo, o significado de nomes e expressões tipicamente brasileiros presentes na obra original mantidas aqui como Orelha-de-pau, pé de grumixama, cacho de brejaúvas, entre tantas outras informações que sempre enriqueceram e diferenciaram a obra de Monteiro Lobato a partir da década de 1920.

Pois bem, foi muito bom conhecer melhor o cartunista: Mauricio de Sousa.


Livro: Turma da Mônica – Caçadas de Pedrinho
Assunto: Contos de fadas, Fábulas & Literatura
Autor: Monteiro Lobato
Adaptação: Regina Zilberman
Ilustrações: Mauricio de Sousa
Apresentação na orelha do filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé
Páginas: 88 páginas
Formato: 23 x 30 cm
Preço: R$ 39,90/cada
Editora: Girassol Brasil Edições  - 
Onde Comprar: Clique aqui.

Revisão de Texto: Max Maciel

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Coluna: Nascimento | “Literatura é uma educação familiar não muito difícil de se fazer, basta ser incentivada pela leitura”

Olá meus queridos leitores.

O escritor da nossa coluna de hoje é Jorge Luiz do nascimento que nasceu em Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, no dia 01 de Outubro de 1960. Professor Pós-Doutorado em Letras Neolatinas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e atualmente é Professor de Língua Espanhola da Universidade Federal do Espírito Santo. Tem experiência dentro da área de Letras, com ênfase em Letras, atuando principalmente nos temas: poesia, rap, literatura brasileira, literaturas hispânicas, Cortázar e crítica.

Quem é Jorge Nascimento? 

Por volta dos seis para os sete anos, el niño (o menino) morava numa casa simples junto com os pais e três irmãos mais velhos. Eram vizinhos de uma senhora que trabalhava numa grande editora de livros. Essa mulher possuía uma biblioteca muito grande e quando alguns livros apresentavam problemas de encadernação, a editora costumava jogá-los fora, entretanto, essa vizinha pegava os livros e os levava para a casa dela para reaproveitá-los, “eu sempre muito curioso, é claro não perdia a oportunidade de ir á casa dela para conhecer as novidades”, afirma. 

Foi a partir daí que o chico (o garoto) iniciou o contato com a leitura, mesmo sem saber ler, porém ficava olhando os livros e revistas de fotonovelas. Numa dessas “garimpagens” ele encontrou um livro muito interessante mas que não era o tipo de leitura convencional para criança. Era um livro de contos chamado Olhos de Cão Azul do escritor Gabriel García Márquez e na capa dele tinha uma caveira, coisa bem típica de Festival Indígena das Américas. 

“O mais engraçado dessa história é que especificamente esse livro chamou totalmente a minha atenção que, de imediato eu não entendi nada, mas deixei bem guardado e só depois de muitos anos é que fui abrir para lê-lo”, nos conta o escritor.

A iniciativa para entrar no mundo da poesia surgiu na escola, aproximadamente aos 13 anos, quando uma professora dele, que dava aula de comunicação e expressão, pediu aos alunos que escrevessem um texto que seria apresentado no Festival de poesias da escola. Nesse concurso, o melhor texto seria premiado. A empolgação do jovem foi tão grande para escrever que o fez com muita ligeireza. Entretanto, na hora de declamar a poesia, o tal menino maroto travou e perdeu totalmente a coragem de falar e ler aquela obra-prima para a “geral”. Deu nele aquele famoso “xiii amarelou”, talvez por muita timidez ou falta de experiência com a platéia mesmo. O pior da ocasião é que o rapaz sequer escolheu outra pessoa para apresentar a poesia no lugar dele. Com isso, o poema que falava de um lavrador de Quilombos, hoje Jorge o considera como “coisinha infantil”, nunca foi exposto ao público, ficando apenas rabiscado num pequeno pedaço de papel e gravado eternamente na memória do poeta iniciante. Sem frustrações. 

A grande sorte de nosso escritor, foi ter um pai que sempre o incentivava a ler e a estudar. Apesar desse velho pai não ter muitos recursos financeiros nem  estudos, sempre trabalhou em lugares relacionados à educação, ciência e cultura. Isso facilitou muito o ingresso do muchacho (garoto) no imaginário mundo literário. É claro que eu sei que em seu subconsciente há pergunta óbvia, caro leitor. O nosso personagem ganhava livros nesses ambientes intelectuais acadêmicos? Lugares esses em que se respira conhecimento e aprendizagem. A resposta é sem duvida Sim. Claro que ele ganhava livros e muitos livros de literatura por sinal, “eu sempre tive muito orgulho de ser um bom aluno que se dedicava nessa área de línguas”, relata.

Atualmente Jorge Nascimento é Professor de Língua espanhola na Universidade Federal do Espírito, trabalho esse que é realizado por paixão à Profissão e à Literatura, “eu sempre fiz disso a única Profissão que tive oficialmente na minha vida,” diz Nascimento. 

Jorge orgulha-se de ter participação em vários livros acadêmicos ao longe dos anos, contudo, ainda nesse ano de 2020 será publicada uma tese de doutorado dele, defendida há alguns anos atrás, sobre o autor argentino Julio Cortázar e que somente agora será publicada pela Editora da Universidade Federal do Espírito Santo (Edufes).

 No período de 2014 à 2018, Jorge escrevia textos para o Jornal Metro/ES. Esses artigos eram publicados a cada quinze dias, sendo distribuídos gratuitamente em diferentes regiões do Estado do Espírito Santo e em vários pontos estratégicos da Grande Vitória, tais como: Dentro dos veículos de transporte coletivo, estabelecimentos comerciais e nas Avenidas de maior circulação de pessoas. A repercussão desse trabalho foi tão interessante para quem lia, quanto para o colunista Jorge Nascimento que recebia muito retorno dos leitores e na maioria das vezes, eram de professores que utilizavam os textos em sala de aula.

Foi então que em 2018, a Editora Cousa publicou mil exemplares do livro VISAGENS que é a organização cronológica desses 145 textos escritos no jornal Metro entre os anos de 2014 à 2018 com temática variadas tais como:  racismo, feminicídio, questões das Cidades, opinião, poesia popular brasileira do Samba, rap e passando pela MPB.  Inclusive, essa formação poética dele vem muito de ouvir canções brasileiras. E foi através do livro Visagens que Jorge foi convidado para participar de muitas palestras e debates sobre o livro em escolas de educação para jovens e adultos e com público geral. Para fechar nosso assunto de hoje. O escritor nos deixa uma reflexão muito valiosa de que a “Literatura é uma educação familiar não muito difícil de se fazer, basta ser incentivada pela leitura.” Dale muchacho! 

Título do Livro: Visagens
Autor: Jorge Nascimento
Número de páginas: 141
Ano: 2018
Gênero: Poesia
Preço: R$ 39,00  
Editora: Cousa
Isbn:  9788595780590
Onde comprar: (27) 99956-0277  | email: editoracousa@gmail.com

- Minha Leitura Em dia: ‘’Estou lendo Último vôo do Flamingo - Mia Couto-Ed.Caminho”

Revisor de Texto: Max Maciel



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Coluna: Monjardim | “O Único motivo que nos dá uma razão para escrever livros é a existência de leitores.”

Olá meus queridos.

Falaremos hoje de Leonardo Passos Monjardim que é advogado, um grande incentivador da leitura, escritor, membro da Academia Espírito-Santense de Letras, fundador da Ajel Academia Jovem Espírito-Santense de Letras e presidiu o IHGES Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo - 2005/2008.

Vamos conhecer um pouco mais sobre Leonardo:
Nascido em Vitória, Capital do Estado do Espírito Santo, no dia 11 de Junho de 1973, Leonardo vem de uma família tradicional de escritores, Léo, como gosta de ser chamado, nasceu e cresceu dentro do meio literário e isso o encorajou a acreditar que seria possível desenvolver-se na escrita também.  

O jovem sempre gostou de ler e a partir daí, escrever tornou-se um hábito. Ingressou oficialmente no mundo literário aos 22 anos de idade. A desenvoltura foi tamanha que até o presente momento Monjardim já possui um vasto material escrito e publicado, são eles: Antologia Capixaba, O Antigo Casarão, 100 Anos de Adelpho Poli Monjardim, Reflexões Sobre o Poder, Patrimônio e Logradouros de Fradinhos, A Publicidade na Relação de Consumo, Reforma Agrária do Estado do ES, A Justiça Tarda Mas não Falha e A História Política da Família Monjardim que será lançado no próximo mês de Julho do presente ano de 2020.

Segundo o escritor, escrever é muito bom. Entretanto, para ele, ainda falta espaço e divulgação para os artistas locais divulgarem seus trabalho finais, “temos ótimos escritores no ES, de renome, prova disso é Rubem Braga e José Carlos de Oliveira, precisamos nos orgulhar mais da nossa história e da nossa origem’” relata.

O autor destaca que quando esteve à frente da secretaria da Lei Rubem que é uma Lei de Incentivo à Cultura da Capital Capixaba, o maior esforço dele foi em apoiar o máximo as publicações locais e incentivar o lançamento de novos escritores e para ele “o único motivo que nos dá uma razão para escrever livros é a existência de leitores,” desabafa o escritor.

Leonardo Monjardim atua fortemente no projeto Compartilhe Saber que busca recolher livros de literatura e doá-los para criança e adolescentes de Comunidades carentes da grande Vitória, “o projeto nada mais é do que criar um ambiente lúdico para incentivar as crianças a lerem e escreverem”, o projeto já distribuiu mais de 14 mil exemplares desde 2015.

 Apesar de todas as dificuldades que um escritor passa para publicar um livro, Léo manda um recado para você que deseja publicar o que você escreve “acredite no sonho e se exponha sempre. Queria apenas deixar sua contribuição literária para as novas gerações. Nesse mundo não existe espaço para quem se acovarda e a leitura é o melhor caminho para o conhecimento”.  Está dado o recado. 
 
Livro: A Justiça Tarda Mas Não Falha
Número de páginas: 80
Ano: 2020 
Gênero: História e Folclore 
Preço: R$ 20,00
Editora: Editora Jep 
Onde comprar: Editora Jep - 2731981900

- Minha Leitura Em Dia: ‘’Estou lendo Cartas entre Amigos do autores Fábio de Melo e Gabriel Chalita –  Ed. Ediouro.”

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